Description
Desde a minha entrada neste palco chamado vida, honestamente falando, nunca prefaciei algo. Mas quem vive não tem a garantia da continuidade do nunca, porque o nunca é sempre um definitivo provisório. Este é o primeiro prefácio deste ferreiro, com as consequências próprias da primeira aparição.
Os poemas que se apresentam são da estudante Pinolga Tumbo, uma aglutinação de Pino dado e Olga desejada. Ela pediu que eu exteriorizasse algumas palavras, apenas palavras sopa que preludiam o essencial que ela nos oferta neste livro que leva o título de DECOLAR DE MIM, poeticamente esculpido por uma matéria-prima de oficial (cadete) das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
O livro é uma gravidez de sentimentos fertilizados pelo tempo e pela vida da autora. Nele, a Pinolga traz a carruagem do vivido e a locomotiva de esperanças e sonhos. Aqui, ela reconhece que “Fazem os homens a vida pelos sonhos”, porque o sonho e a imaginação são o combustível que acciona os “motores da evolução humana e do desenvolvimento”, tijolos edificadores dos amanhãs encubados pelo útero vida.
Esta escritora não se apresenta singular, traz-nos geografias, histórias e vivências partilhadas, tanto na vida civil como nas fileiras castrenses. Nos seus poemas, o privado convive com o colectivo. Ela mostra como a sua personalidade está sendo edificada pelo colectivo militar, dando vitalidade e perenidade às tradições bambara e peul, evocadas pelo escritor, poeta e pensador maliano, Amadou Hampaté Bâ, segundo as quais “As pessoas da pessoa são numerosas no interior da pessoa”.
Parabéns, Pinolga, por nos apresentar outro lado da montanha e considerar fecundante a empreitada poética.
Francisco Zacarias Mataruca
Nampula, setembrando História e epopeia libertária, (25/9/1964-25/9/2025).